Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Sonhos e Pesadelos

Já não descia ao Submundo há muito tempo. Há cinco longos meses, para ser preciso. As razões da minha longa ausência não são relevantes para este texto. Julgo que, de qualquer modo, não iriam interessar a ninguém. Mas estou de volta para vos contar uma pequena história sobre as minhas noites de 2008. Diz-se que os seres humanos nem sempre conseguem recordar os seus sonhos; um tipo acorda às sete da manhã, toma banho, veste-se, come qualquer coisa e vai para o trabalho sem dar conta de que durante a noite interpretou um milionário, um assassino em série ou um travesti perseguido por um grupo de extrema-direita. Tudo isto e muito mais em apenas escassos segundos. Esse curto período de tempo numa qualquer noite de descanso pode fazer toda a diferença; refiro-me a maus agoiros, déja-vu, e estranhas visões reveladoras. Isto significa que os sonhos podem funcionar como portas para mundos inexplorados ou, num sentido mais instrumental, orientações para a nossa conduta diária.

- A noite passada tive um pesadelo - disse a rapariga de olhos castanhos.
- Tiveste? E de que se tratava? - inquiriu o seu pai.
- Foi muito esquisito. Acho que hoje vou não vou de comboio para a faculdade.

O mau agoiro provocado pelo sonho condiciona a acção da rapariga de olhos castanhos, como se uma voz na sua consciência a aconselhasse a não fazer certas coisas. O pesadelo que teve na noite anterior envolveu um comboio e possivelmente um acidente, ou algo pior, como uma morte. Mas as estranhas sensações em relação aos sonhos não se esgotam assim.

- Lembras-te de termos falado sobre o livro que não consigo terminar? - perguntou Acácio.
- Sim, o tal que deixaste a meio há mais de duas semanas...
- Exacto. Ontem finalmente visualizei um final para a história!
- A sério? Como conseguiste? - perguntou o editor.
- Tudo se passou num sonho. Um sonho inesquecível...

Aqui abriu-se uma porta para um mundo apenas acessível pela imaginação ou pelos sonhos. Um mundo que permanecia escondido. O escritor que enfrentava um bloqueio teve a sua epifania enquanto se babava para a almofada do seu velho sofá.

- Já não tenho um sonho desde o final de 2007. Não sei se é normal.
- Podes sonhar e não te lembrares disso. Acontece a muita gente.
- Sim, mas nunca me aconteceu estar tanto tempo sem sonhar, e não me parece que alguma vez tenha tido um sonho de que não me lembrasse.

Ou não me recordo, ou as portas permanecem fechadas.

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007



Francisco de Goya, Time (1810-12)

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Neófito

Dum berço de brancas rosas fui roubado
Minha mãe as suas unhas na minha carne cravou,
Carregou-me nos braços e senti-me amado
Um amor sobre cujas fantasias minha imaginação prosperou

Lágrimas escarlates do seu rosto ela derramou
Minha mãe, com o seu sangue me baptizou,
Oh Natura! Que filho tiras do coração desta mulher?
Quem é o teu senhor? O anjo caído Lúcifer?

Sozinho na bruma a luz renego!
A uma misteriosa alcateia sou lançado,
Para com majestosas garras dilacerar este mundo cego
E na companhia da Lua altivamente uivar, qual lobo transformado.

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Pós-qualquer coisa

Vejo as ruas despidas. Não é tristeza nem solidão, é algo menos vísivel. Esconde-se nos becos, camufla-se nas camadas de tinta dos prédios. O seu odor é perceptível a vários metros de distância, talvez porque está em todo o lado. É uma sensação recente, um pós-qualquer coisa. Sinto que um ciclo acabou de chegar ao seu termo e que um novo caminho será talhado, mas não sei ao certo do que se trata. Neste momento só a incerteza é certa, e nem essa está totalmente garantida. É altura de decisões, de abraçarmos a nossa verdadeira essência em todas as suas virtudes e vícios, de admitirmos que estamos por nossa conta num bosque que desde sempre julgamos conhecer, mas que nunca vimos na sua imensidão e densidade. Deixamos para trás pessoas, locais, memórias, sentimentos, e deambulamos em busca de reconhecimento, redenção, extâse, glória, felicidade. Mas não terá sido isso que sempre quisemos alcançar? Talvez. No meu entender, tem de existir mudança, a minha vida sempre assentou nesse príncipio. Progresso intelectual, físico, espiritual, pessoal. Mudança. Resta saber se cada um de nós está preparado para o dia em que terá de fazer escolhas que ditarão os anos vindouros. Por vezes um período de reclusão faz todo o sentido. Reflectir. Procurar. Outras vezes o afastamento pode simbolizar o esquecimento de tudo, o abismo mais próximo. Quanto a mim senti a falta do Submundo; é uma cave acolhedora onde posso desfrutar de silêncio, de escuridão e de...esperança.

Domingo, 16 de Setembro de 2007

Bela Lugosi

Bela Lugosi interpretando Drácula (1931), o clássico de Tod Browning.



Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Praga (22/08/07 - 27/08/2007)

No dia 22 de Agosto parti juntamente com um amigo em direcção à cidade que desde muito cedo governa a minha imaginação. O seu encanto não deixa ninguém indiferente, e os majestosos edifícios que compõem o cenário de Praga impõem a sua magnificiência sem precedentes. A relação entre o visitante e a cidade caracteriza-se por uma certa hipnose, pois cada paisagem exerce o seu poder sedutor ao primeiro olhar. Dia 27, ao voar de regresso a Lisboa, não consegui evitar um sentimento de nostalgia e um desejo de voltar a Praga um dia mais tarde.


No interior da Catedral de São Vito

Sob a vigilância da Catedral de São Vito


À porta de uma livraria perto da ponte Dom Carlos


Ponte Dom Carlos, e ao fundo a torre da ponte da Cidade Velha


Ponte Dom Carlos com vista para o Castelo

Rio Vltava, e ao fundo o Castelo de Praga

Torres da Igreja de Tyn

Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

delirium tremens

Famacocinese – movimento da droga através do corpo (i.e. absorpção -> distribuição -> metabolismo -> excreção).