
Deftones
, Adrenaline (1995)
O álbum de estreia do então quarteto de Sacramento, Califórnia. Um cruzamento entre o rap e o metal, que marca o surgimento de uma orquestra de músicos jovens e zangados com o mundo, revolta bem expressa na agressividade e paixão com que Chino Moreno faz uso do microfone. Um disco cru, onde a harmonia das texturas, patente na ambivalência entre a suavidade e a agressividade, que anos mais tarde se tornaria uma imagem de marca da banda, começa aqui a ganhar forma. Escutei-o pela primeira vez em 1999, quando um amigo me emprestou uma cassete, a qual experimentei de imediato e nos dias seguintes no meu walkman. Ironicamente não fiquei convencido, apesar de ter gostado de alguns temas. O reconhecimento de que Adrenaline é um álbum divinal viria um ano mais tarde. Na memória ficam: Bored, Root, 7 Words, Engine No.9.
Deftones, Around The Fur (1997)
Segundo trabalho dos californianos, desta vez com a colaboração do futuro membro Frank Delgado. Recebido com júbilo pela legião cada vez maior e mais leal de fãs, é até à data o disco mais potente dos Deftones. As incursões pelo universo do rap ficaram para trás, dando lugar à versatilidade da voz de Moreno, que aparece em Around The Fur com o estatuto de one man show, cuja magnífica voz ressalta ao ouvido de todos, conseguindo quase ocultar o excelente trabalho dos restantes comparsas. Chino atinge aqui o seu auge, e os seus gritos combinados juntamente com a ternura melódica com que se aproxima em certas canções tornam-se famosos. No que toca a escolher o melhor álbum de Deftones, é extremamente ingrato, pois todos eles são mágicos. Contudo, este é o meu disco favorito, aquele em que o estilo dos Deftones está mais vincado. Na memória ficam temas capazes de lançar o pânico nos concertos, tais como My Own Summer (shove it), cujo refrão é um dos mais violentos até hoje criados, susceptível de obrigar a banda a interromper momentaneamente os espectáculos ao vivo para acalmar a plateia; Around The Fur; Headup (com a participação de Max Cavalera, ex-Sepultura e actual vocalista dos Soulfly); Lotion. Entre as mais melódicas ficam Be Quiet And Drive (far away), em redor da qual se ergueu um culto, e Mascara.

Deftones , White Pony (2000)
O meu primeiro álbum de Deftones, lançado em 2000 depois de três longos anos de ausência, agora com Frank Delgado como membro permanente. Aquele que marcou a minha adolescência e, embora não seja o meu preferido, é o álbum que mais rodou na minha aparelhagem e no meu discman. A guitarra de Stephen e de Chino, o baixo de Chi, a bateria de Abe e as ambiências produzidas por Frank e pela sua mesa de mistura construíram algo sedutor, eclético, inovador, suave, o meu narcótico de sempre. Com White Pony nasce o alter-ego de Chino Moreno e seus pares. Disco marcado pelo raiar dum problema que afectaria as cordas vocais de Moreno, chegando a colocar em risco a sua carreira de vocalista, povoado por letras que retratam fantasias pessoais e acontecimentos bizarros, contados através de uma "tristeza suave". Amplamente aclamado pela crítica, bateu os recordes de vendas da banda, vendendo mais de um milhão de cópias na primeira semana nos EUA, sendo reconhecido como o disco do ano. Álbum de extremos, cujo som e imaginário devorei apaixonadamente durante anos. A partir de White Pony, passei a amar cada música dos Deftones e comprei de imediato os restantes discos, para os ouvir desde a primeira faixa de Adrenaline até à última faixa de White Pony e, mais tarde, também de Deftones, em todas as noites do ano, de Janeiro a Dezembro. Várias versões se lhe seguiram. A reter: Feiticeira, Digital Bath, Street Carp, Knife Party, Change (in the house of flies).

Deftones, deftones (2003)
Várias vezes adiado devido a indecisões criativas, este é o trabalho mais controverso dos Deftones. O seu título foi demasiado especulado pela imprensa, que insistia em Lovers, pelo que a banda decidiu lançar um disco homónimo. Segundo um Chino rejuvenescido e no seu máximo, que aqui se dedica mais intensamente às cordas, foi o processo mais longo de criação da carreira do quinteto, em que o estúdio era um local pleno de tensão. Recebido por uns com alguma indiferença e até desilusão, por outros como o melhor álbum de Deftones, aquele em que é dado outro passo gigante na sonoridade da banda. Deftones é o disco mais maduro e negro dos rapazes de Sacramento, repleto de riffs pesados e carregados de misantropia, com algumas paragens em zonas mais melódicas, como não poderia deixar de ser nos Deftones. No entanto o ambiente em nada se assemelha ao dos discos anteriores, chegando mesmo a ser estranho num primeiro contacto. Difícil de assimilar, perturbador, romântico, sádico, poético, genial, Deftones. Em foco: Hexagram, Needles And Pins, Deathblow, Battle-axe, Bloody Cape, Anniversary Of An Uninteresting Event.
Deftones: oficialmente 10 anos de carreira; 5 anos de devoção. Vem aí o próximo disco...