segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006

Perspectivas

Fotografia tirada há três anos. A minha colecção de Deftones viria a expandir-se daí em diante.


Folheto do Hot Clube de Portugal. Recebi-o na noite em que estive lá a ver Bernardo Sassetti com uma garrafa de vinho tinto em cima da mesa.

domingo, 29 de Janeiro de 2006

Neve

E nevou. O branco invadiu pela primeira vez o Forte da Casa, e eu estive cá para assistir. As crianças saíram para a rua histéricas, na esperança de cair neve suficiente para construirem bonecos de neve. Eu cá gostava de fazer uma guerra, com bolas de neve bem moldadas para atirar à vossa cara. Belo.
Finalmente vejo as ruas molhadas, o céu cinzento e a água a escorrer pelo vidro da minha janela. Eu gosto destes dias, consigo sentir o aroma da terra.

sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

Exilado

Tenho estado ausente da Infernet nos últimos dias, como tal perdoem-me pela ausência de novidades aqui no reduto subterrâneo. Prometo regressar em breve com muitas ideias tresloucadas. Sinto-me menos poluído...

segunda-feira, 23 de Janeiro de 2006

Tens medo?

Entre 23 e 31 de Dezembro de 2000, Christopher Lee narrou para a BBC quatro histórias de fantasmas de M.R. James, The Stalls of Barchester, The Ash Tree, Number 13 e A Warning to the Curious. Eu quero ver, a todo o custo.

domingo, 22 de Janeiro de 2006

A vós

Sim, eu falho, não tenho receio de admiti-lo. Se todos reconhecessem as suas imperfeições eu não tinha de me levantar de manhã para ser confrontado com egocêntricos e obstinados. Mais, adoro ser subestimado e menosprezado...continuem a fazê-lo e contribuirão para o meu orgulho, para a minha raiva, únicos sentimentos fiéis e constantes.

sábado, 21 de Janeiro de 2006

Oh sim, houve sangue.

sexta-feira, 20 de Janeiro de 2006

Do Outro Lado da Rua

O que vi naquela madrugada transformou a minha mente num sítio em que não gosto de me refugiar. Os meus pensamentos são terríveis e causam-me calafrios. Creio que se tratava do assassino em série de que os jornais, a televisão e a rádio falam abundantemente. Tornaram este tipo célebre. Agora temos a fama e a loucura com uma faca nas mãos a percorrer as ruas, e eu não fui capaz de chamar a polícia. Limitei-me a fugir. Sou um cobarde. Desde então parece que perdi a necessidade de dormir, o que no fundo acabou por se revelar satisfatório, pois cada vez que fecho os olhos sou invadido por um terror inexpugnável. Transpiro abundantemente e ouço ruídos que não são reais. Recentemente pensei ter avistado uma presença no canto do meu quarto, impassível, como que observando cada movimento trémulo do meu corpo para alcançar o interruptor da luz. Não passara de uma ilusão de óptica.
Nos meses subsequentes sair à rua era como caminhar sobre os espinhos das rosas. Aquela imagem acompanhava-me para onde quer que eu fosse. Confrontei-me com a hipótese de estar a enlouquecer e acabar encarcerado num hospício com corredores despovoados e gélidos. Contudo, com a sucessão das estações habituei-me à ideia de os meus pensamentos estarem habitados pelas trevas, e um certo modo de vida infernal tornou-se rotineiro. O medo é uma sensação que certas formas de arte, como a literatura, descrevem e transmitem, algumas com mais sucesso que outras. No entanto é impossível para um leitor ávido de literatura de terror experimentar o medo por meio da leitura da mesma forma que na realidade. Em tempos eu fui esse tipo de leitor.
Actualmente sou um tipo com trinta e três anos, fumo em média um maço de tabaco por dia, e passo os meus dias monótonos na livraria onde trabalho. A minha vida não pode ser mais desinteressante que isto, o que é bom. Confere-me a estabilidade que necessito para aguentar os dias. Nunca durmo mais de quatro horas por noite e a maior parte do tempo sinto-me cansado e tenho dores de cabeça. Quando não durmo leio, ou escrevo contos que depois coloco nas caixas de correio dos prédios do meu bairro. É divertido. Vivo sozinho num pequeno apartamento que estou a pagar, e raramente saio com os amigos. Sempre que o faço acabo por desviar-me das conversas e mergulhar em ideias obscuras. Eles sabem que eu sou um sujeito esquisito, mas esforçam-se por ignorar tal facto e agir normalmente.
À segunda, à quarta e à sexta-feira costumo ir ao Desvario, um bar que fica situado perto da minha casa. Nesses dias da semana, sempre às 23:00 horas, há música ao vivo. É uma boa alternativa para me abstrair, beber cerveja barata e ouvir boa música. Já frequento o Desvario desde o seu dia de abertura, cinco anos atrás. É um espaço reduzido e escuro mas aprazível, frequentado por todo o tipo de pessoas. É claro que existem as caras habituais, eu sou uma delas. O Henrique, o fulano que trabalha lá, já conhece os meus hábitos e raramente se engana quando diz que já sabe o que eu quero beber quando me sento junto ao balcão ou numa mesa perto do pequeno palco. Como costumo ser o último a sair do bar, já tivemos bastantes conversas interessantes, algumas delas sob o efeito do álcool e da excelente erva que se vende aqui nas redondezas. O Henrique é um homem porreiro e solitário que já alcançou meio século de existência. Tem bigode e pêra e usa um piercing no sobrolho. Diz-se que um dia chegou a casa ébrio e esfaqueou a namorada até à morte sem motivo e que por isso passou quase metade da sua vida na prisão. Não sei nada a esse respeito, nunca falamos de assuntos pessoais, apenas sei que é um bom ouvinte. Além disso, possui um extenso repertório de histórias para contar. Costuma dizer que a maior virtude que se pode ter é passar despercebido perante os outros.

Para inaugurar o tom púrpura


A Traição das Imagens, 1928-29

«O famoso cachimbo...? Já fui suficientemente censurado por causa dele! E afinal...conseguem enchê-lo? Não, é apenas um desenho não é? Se tivesse escrito por baixo do meu quadro "isto é um cachimbo" estaria a mentir!»
René Magritte

quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006

Perífrase Vingativa

Perigosamente catatónico,
Estive assim, não há muito tempo.
Fui ver o meu peso. 64 quilos, engordei.
Estranho...
De qualquer modo continuo a fazer flexões de braços,
E abdominais. Alguns...
Fartei-me um pouco de beber. Taxativo.
Este coração não quer ser como era,
Um dia destes prega-me uma partida.
Escuto a minha banda preferida. Choro.
Injurioso fardo, aquele que carrego.
Cada vez mais descrente. Não te quero ver.
Magoas-me porque te amo descontroladamente.
Que te interessa o meu amor? Dormes.
Vou foder enquanto posso. Até não conseguir mais,
E não pensarei em ti quando oferecer o orgasmo à minha parceira.
Sexo vingativo...provavelmente.
Não necessariamente reprovável. Extenuante, delicioso.
Volúpia. Raiva. Erecção. Ejaculação.
O clímax revela-se apaziguador. Tanto ódio libertado.
Comprimidos...não quero tomá-los. São demasiado brancos.
Visão distorcida da realidade que não é realidade nenhuma,
De qualquer forma, chamemos-lhe assim. Velas acesas...
Oculto.
Vejo-te no escuro porque fecho os olhos.
Danças e osculas um homem de negro.
És feliz, eu sei. Cala-te.
Não encontro catarse na minha dor,
Sou patético. Dizem por aí.
Sou ambíguo.
Sou ingénuo e tenho olhos castanhos.
Amo-te...amo-te...quero-te ao meu lado,
Penso em fugir. É uma solução.
Todos se lembrarão de mim daqui a muitos anos,
Para sentirem orgulho em mim quando regressar.
Por favor. Apaga essa expressão benevolente.
Não tenhas pena de mim,
Posso sempre foder por vingança.

terça-feira, 17 de Janeiro de 2006

...but not yet

Some will sing a song
To reel 'em in
It's a song I sung before
And a song I'm gonna sing again
I mean every word
I don't mean a single one of them
Oh Lord, make me pure
- but not yet
I don't have to try
I just dial it in
I've never found a job that for me was worth bothering
I got a ton of selfish genes and lazy bones
Beneath this skin
Oh Lord, make me pure
- but not yet
Smoking kills
Sex sells
I've got one hand in my pocket but the other one looks cool as hell
I know I'm gonna die so my revenge is living well
Oh Lord, make me pure
- but not yet
I stopped praying
So I hope this song will do
I wrote it all for you
I'm not perfect but you don't mind that, do you?
I know you're there to pull me through, aren't you?
So I look for love
I like the search
And I'll be standing for election all across the known universe
Let every president get the country she deserves
Oh Lord, make me pure
- but not yet
And I've been seeing
Somebody's wife
She said she'd leave him for me and
I said that wasn't wise
You can't lie to a liar because of all the lies
Oh Lord, please make me pure
- but not yet
Robbie Williams, Make Me Pure

The A-Team

Grande série, agora a ser transmitida na Sic Radical, para meu deleite. Em miúdo venerei esta série louca e divertida...hoje tenho a oportunidade de rever nostalgicamente Murdock, B.A., Hannibal e Face. E ao revisitar as aventuras do Esquadrão Classe A, esboço exactamente o mesmo sorriso de então.

domingo, 15 de Janeiro de 2006

Fluxo

Costumo ter muito para escrever aqui no blogue, mas ultimamente não consigo libertar-me. Como tal, os mais desatentos poderão julgar que este é o post mais inconsequente que escrevi até hoje. Algo toma conta de mim progressivamente, e não sei do que se trata.

sábado, 14 de Janeiro de 2006

Scott Radke, Marionettes

quarta-feira, 11 de Janeiro de 2006

«Meia dúzia de homens foderam o mundo só para impressionar as mulheres.»

Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido, Assírio & Alvim, 1997

terça-feira, 10 de Janeiro de 2006

Isto É A Tua Vida

Cospes no chão das ruas esquálidas por onde passeias, mas creceste nos seus becos.
Ignoras cada sem abrigo que toca guitarra para ganhar alguns cêntimos, porque preferes gastar o teu dinheiro em droga, álcool, ou artigos que não necessitas mas que ornamentam o teu corpo.
Estás inscrito(a) numa faculdade, os teus pais trabalham para pagar as propinas, mas não investes tempo no curso porque és um parasita viciado no hedonismo.
Não gostas de ler porque a maior parte dos livros são longos e aborrecidos.
Estás rodeado de mobília e de acessórios para o lar apenas para te sentires protegido e completo.
Durante o dia esboças sorrisos e tentas demonstrar a todos que és feliz, durante a noite alimentas pensamentos depressivos.
Estás demasiado ocupado(a) com frivolidades para compreenderes que a tua vida é um vazio.
És egoísta e egocêntrico(a), não reconheces talentos nos outros.
Tentas desesperadamente controlar a tua vida e fazer planos para o futuro, como se fosses viver para todo o sempre.
Fazes cirurgias plásticas porque não gostas das tuas formas.
Preferes não falar de sexo, mas masturbas-te incessantemente.
Aterroriza-te a ideia de um dia teres de morrer, mas quando vês no noticiário imagens de corpos nada sentes a não ser indiferença.
Até perceberes, não temeres, a morte, és inútil.

segunda-feira, 9 de Janeiro de 2006

Hoje pensei em acabar com o blogue, no entanto mudei de ideias. É um indicador da inconstância de que padeço sobretudo nas últimas semanas. O motivo pelo qual decido continuar a percorrer este caminho é puramente o da afinidade que desenvolvi com o Submundo. É a ele que recorro a qualquer hora...quando os meus pensamentos querem ter vida nas palavras. É a ele que recorro novamente, desta vez às 4:26, para dizer que estou cansado de trabalhar numa entrevista que terei de terminar forçosamente durante a manhã, porque a minha visão turva-se a cada minuto que passa. Tenho inúmeras leituras pendentes, mas o tempo é um recurso escasso, por isso deixo os livros amontoados na minha secretária, à mercê do pó, e aposto numa economia do tempo. Farei o seguinte: dormirei até às 9:00, para depois acabar de transcrever a entrevista e quem sabe estudar um pouco antes de começar o trabalho de grupo que tenho marcado para as 14:00. Um defunto também se cansa.

sábado, 7 de Janeiro de 2006

Fim

Morri! Sim...eu estou morto, tornei-me num espírito desorientado e errante, ainda a tentar compreender as razões que me levaram à morte; tornei-me numa sombra diabólica, num espectro decadente, vil, terrível. A minha carne é fria, roxa, dura, o meu coração deixou de palpitar. Do que fui nada resta...a não ser um inolvidável ódio cuja energia funciona como um escudo. Recordam-se do João Esteves? Foi aquele que morreu por um amor inconsequente, por uma lealdade e dedicação incontestáveis a uma rapariga, cuja beleza exercia sobre ele um poder inimaginável. Hoje a sua sombra deambula pelos recantos escuros das ruas, em busca dum propósito que jamais encontrará. Se se cruzarem com ele, tomem-lhe as mãos e sentirão a frieza do corpo, a ausência da alma.

sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006

O ano da morte de João Esteves

Já tentei ser teu amigo,
Falhei, a amizade nada quer comigo
Assim permaneço num amargo paradoxo,
Tenho muitos amigos e nenhum me salva deste sufoco

São dias que se gastam,
Da minha vida, tantas horas bastam!
Sofro, nú no silêncio da escuridão
Escuta-me! Dá-me a tua mão

Não percebes que amo tudo em ti?
Notaste? Sentado na cadeira daquele café tremi,
Dominaste-me com a tua voz penetrante
Subjugaste-me com cada gesto sonante

Plazza...em Vila Franca de Xira,
Era noite e já o meu orgulho se escapulira
Admirei-te. O meu coração também.
Quis beijar-te...falaste em nós...tudo se mantém.

Não...não pode ser. Vejo-te com um vulto
Aceno-te e tento sorrir. A raiva oculto...
Não conheces a minha mágoa,
Aquilo verte dos meus olhos e não possui a pureza da água

Choro, não durmo. Olhos pesados. Tento cantar
Tenho o corpo gélido, mas ainda consigo pelo teu nome gritar!
Um enigma: tu, na minha mente descrente
Apaixonado: eu, morto por uma vida que mente.




Na penumbra dos subúrbios

Only In Amerika (2004)
Blackout (2003)
Broke (2000)


(hed) pe (1997)


Juntem hip-hop, funk, punk, e rock. São os (hed) pe; para pessoas zangadas. Eu estou zangado.

quinta-feira, 5 de Janeiro de 2006

Fui eu

O que pode um jovem estudante universitário de 21 anos fazer às 2:38 da madrugada? A gama de hipóteses é vasta, por isso não tenciono conjecturar. Eu enviei este e-mail a todos os meus contactos (uma larga fatia são amigos):
"Aqui fica o endereço do meu blogue:
http://osubmundo.blogspot.com

Amem ou odeiem o conteúdo, assim como o seu autor.

Tenho sono mas não consigo dormir. Contraditório? Nem por isso. Agora despeço-me com alguns conselhos de cariz moral: não bebam demasiado a não ser que estejam no abismo, não se droguem, não comam demasiado, façam exercício físico, não fumem, suicidem-se apenas com uma razão plausível, escutem os conselhos dos vossos pais, não respeitem os mais velhos apenas porque foram ensinados a tal, olhem para além do óbvio, tenham sempre presente que o vazio existe, façam longas caminhadas durante a madrugada, praguejem (digam palavrões, asneiras) sempre que o desejarem, não rejeitem a vingança porque é um sentimento rejuvenescedor (desde que por razões nobres), quando chover deixem que as gotas vos brinde com a sua frescura (ou amargura?), não tenham vergonha de não ter ideais (há pessoas dignas e virtuosas que não têm quaisquer ideais), não rejeitem o vosso orgulho, pois este pode ser o vosso bilhete de saída de algo inóspito, nada receêm e libertem-se, não tentem controlar em demasia a vossa vida, não confiem muito no funcionamento regular das leis naturais, sejam espíritos iluminados e abertos a todas as possibilidades, acreditem quando alguém diz que o "O Amor É Fodido"- porque é e até é o título dum livro do Miguel Esteves Cardoso, daí as aspas - OUÇAM, não se limitem a esperar pela vossa vez de falar (vi isto num filme, mas parece-me muito sensato e verosímil), e por fim volto a repetir: olhem para além do óbvio. Devem estar a perguntar-se: Este gajo 'tá completamente maluco ou é impressão minha? - Eu respondo desde já. Sim, estou maluco, aliás eu sou maluco, mas não é o tipo de loucura que leva certas pessoas a ficar num hospital psiquiátrico, se é que me entendem. Também não estou bebâdo nem sob o efeito de drogas, simplesmente apeteceu-me obedecer às ordens esquisitas que por vezes recebo da minha mente. Vocês teriam coragem de escrever estas bizarrias e de enviá-las para os vossos amigos, ainda por cima a esta hora? Duvido... A isto eu chamo uma bizarrice (o pessoal do "Bizarrice" [outro blogue] saberá do que estou a falar). Dedicado a ti.
Enfim...comecei a rir quando revi o que escrevi, deve ser o mail mais estranho que já receberam. Fico contente por ser eu o autor.

P.S. Descodifica a mensagem deste sinistro e-mail. (Isto faz-me lembrar os livros que lia quando era puto, aqueles para encontrar o Wally, lembram-se? A propósito, onde está esse cabrão caixa-de-óculos?) Vemo-nos por aí, ou talvez não...quem sabe... será que ele vai suicidar-se? - perguntam vocês. E eu não respondo."

segunda-feira, 2 de Janeiro de 2006

Tarefa nº1

Do filme Fight Club (1999)

O vosso trabalho de casa para esta semana é olhar para cima e questionar quem move os fios neste teatro de marionetas chamado sociedade.

domingo, 1 de Janeiro de 2006

2006...

Fotografia de Daniel Carvalho

...veio sem convite. Prometo lutar, criar e mudar.