Eu não compreendo a minha própria demência
E a minha busca é uma inevitável inconsequência,
Sou uma árvore que cresceu sem folhas
Tronco velho, uma vida sem lúcidas escolhas
Hoje olhei para o firmamento e estava diferente,
Era uma proliferação de vermelho poente,
Em todo o seu esplendor,
Em todo o seu ardor
Julgo que se trata de uma neurose
Cujo único fundamento é tornar a minha vida numa mera hipótese
Afinal o que se passa com a clausura?
Não será algo sobre o qual a minha mente conjura?
Que confusão da psique e do corpo!
Qual arquitectura de um ser amor(fo)...
A minha casa não tem paredes nem telhado,
Por isso a chuva e o vento levam o meu passado
Ninguém parece reconhecer o eufemismo que sou
Talvez porque a minha loucura tudo embelezou,
Hoje tive novamente o sonho,
Ao som da melodia que jamais componho
Assim juntei a minha boca aos teus lábios
E o ósculo precedeu o vómito
Em toda a minha dor,
Em todo o seu sabor.