segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Pós-qualquer coisa

Vejo as ruas despidas. Não é tristeza nem solidão, é algo menos vísivel. Esconde-se nos becos, camufla-se nas camadas de tinta dos prédios. O seu odor é perceptível a vários metros de distância, talvez porque está em todo o lado. É uma sensação recente, um pós-qualquer coisa. Sinto que um ciclo acabou de chegar ao seu termo e que um novo caminho será talhado, mas não sei ao certo do que se trata. Neste momento só a incerteza é certa, e nem essa está totalmente garantida. É altura de decisões, de abraçarmos a nossa verdadeira essência em todas as suas virtudes e vícios, de admitirmos que estamos por nossa conta num bosque que desde sempre julgamos conhecer, mas que nunca vimos na sua imensidão e densidade. Deixamos para trás pessoas, locais, memórias, sentimentos, e deambulamos em busca de reconhecimento, redenção, extâse, glória, felicidade. Mas não terá sido isso que sempre quisemos alcançar? Talvez. No meu entender, tem de existir mudança, a minha vida sempre assentou nesse príncipio. Progresso intelectual, físico, espiritual, pessoal. Mudança. Resta saber se cada um de nós está preparado para o dia em que terá de fazer escolhas que ditarão os anos vindouros. Por vezes um período de reclusão faz todo o sentido. Reflectir. Procurar. Outras vezes o afastamento pode simbolizar o esquecimento de tudo, o abismo mais próximo. Quanto a mim senti a falta do Submundo; é uma cave acolhedora onde posso desfrutar de silêncio, de escuridão e de...esperança.

1 comentários:

Anónimo disse...

Por vezes não estamos preparados para a mudança e deixamos de arriscar. Podemos ter perdido algo muito especial, como um simples brilho no olhar.. algo que ficou para trás e nunca mais pode ser recuperado.
Não vou assinar porque sabes quem eu sou.*